A síndrome de Sever é uma condição que vejo com frequência em meu consultório em São Paulo quando pais levam seus filhos reclamando de dor intensa no calcanhar.
Frequentemente, essas crianças praticam futebol, basquete ou fazem atletismo e simplesmente pararam de jogar porque a dor não passa. O erro comum é achar que é um problema grave que exige cirurgia. Na verdade, entendida corretamente, a síndrome de Sever responde muito bem ao tratamento conservador.
A apofisita do calcâneo, nome técnico para síndrome de Sever, é uma inflamação da placa de crescimento no calcanhar que afeta crianças durante o estirão de crescimento puberal, geralmente entre 9 e 14 anos.
Durante esse período, os ossos crescem mais rápido que os músculos e tendões. O tendão de Aquiles, que se insere no calcanhar, fica tenso demais e traciona a placa de crescimento ainda não completamente ossificada. Isso causa inflamação e dor.
Neste artigo explico exatamente o que é a síndrome de Sever, por que afeta especialmente crianças atletas em São Paulo, como diagnosticar corretamente e qual é o melhor tratamento para que seu filho volte a praticar esportes sem dor.
Por que a síndrome de Sever afeta crianças atletas especificamente
A síndrome de Sever ocorre durante o pico de crescimento, quando a placa de ossificação do calcâneo ainda está em desenvolvimento. Essa estrutura está sendo constantemente submetida a força. O tendão de Aquiles, responsável por flexionar o pé para caminhar, correr e pular, exerce tração contínua nessa placa ainda imatura.
Crianças que praticam esportes que envolvem corrida, saltos e mudanças de direção rápidas sofrem mais microtraumas repetitivos. Futebol, basquete, vôlei e atletismo são especialmente frequentes causa de síndrome de Sever em São Paulo. Aumentos rápidos no volume de treino sem adaptação progressiva também dispara a condição.
Interessantemente, a síndrome de Sever é bilateral em aproximadamente 60% dos casos, ou seja, afeta ambos os pés. A proporção de meninos afetados é de 2-3 para cada menina. Crianças que usam calçados muito planos e sem amortecimento também têm risco aumentado.
Sintomas que aparecem progressivamente
O primeiro sinal é dor no calcanhar após atividades esportivas. Inicialmente, a criança consegue continuar jogando, mas sente dor ao final da prática ou no dia seguinte. Gradualmente, a dor passa a aparecer durante a atividade, limitando o desempenho.
A criança pode começar a coxear ou mudar sua forma de caminhar tentando aliviar a dor. Alguns relatam que o calcanhar fica “duro” ou “rígido” após atividades. O inchaço é discreto e pode não ser visível, mas a criança sente dor à palpação no local de inserção do tendão de Aquiles no calcâneo.
Na fase avançada, a criança simplesmente para de praticar esportes porque a dor fica insuportável. Alguns pais chegam ao consultório em São Paulo dizendo que seu filho parou completamente de jogar futebol, seu esporte favorito.
Diagnóstico correto diferencia de outras condições
O diagnóstico é clinicamente evidente. Observo se há dor à compressão medial-lateral do calcâneo, teste muito específico para síndrome de Sever. Avaliou também a flexibilidade da panturrilha: crianças com síndrome de Sever frequentemente têm encurtamento muscular significativo.
Solicito radiografia do pé em carga para visualizar a placa de crescimento. Na síndrome de Sever, vemos esclerose e fragmentação característica da apófise calcanear. Esse achado radiográfico confirma o diagnóstico. Não preciso de ressonância magnética: radiografia simples é diagnóstica.
O que a ciência diz sobre tratamento
Uma revisão sistemática publicada no Cureus em 2025 analisou 17 estudos sobre tratamento conservador de síndrome de Sever. Os autores concluíram que palmilhas customizadas, fisioterapia com alongamento de panturrilha e fortalecimento, além de modificação de atividades, reduzem eficazmente a dor e permitem retorno ao esporte.
Outra revisão em 2024 publicada na revista MDPI (DMJ, 2024) confirmou que palmilhas customizadas superaram significativamente os levantamentos simples do calcanhar em eficácia.
Tratamento conservador que funciona
O tratamento começa com repouso relativo da atividade que causa dor. Não é repouso absoluto: a criança pode fazer atividades leves sem dor. Gelo local por 15 minutos após qualquer atividade que cause desconforto ajuda no controle da inflamação.
Anti-inflamatórios orais (ibuprofeno) em doses apropriadas para a idade da criança controlam a dor nos primeiros dias. Palmilhas customizadas com elevação do calcanhar reduzem a tração do tendão de Aquiles sobre a apófise. Essas palmilhas são extremamente eficazes.
Fisioterapia com alongamento diário da panturrilha é fundamental. Peço aos pais que orientem a criança a fazer alongamentos simples 2-3 vezes ao dia. Fortalecimento muscular do pé e tornozelo, realizado após melhora da dor, previne recorrência.
Modificação do treino é essencial: reduzir volume de atividade, evitar terrenos muito irregulares, usar calçados com bom amortecimento. A maioria dos casos melhora em 6-12 semanas com essas medidas simples.
Prognóstico e retorno ao esporte
A síndrome de Sever é uma condição autolimitada. Quando a placa de crescimento se ossificar completamente (por volta dos 15 anos), o problema desaparece naturalmente. O tratamento objetivo acelerar essa recuperação e permitir que a criança continue participando do esporte.
Com tratamento adequado, 90% das crianças retornam ao esporte sem nenhuma limitação. A recorrência é rara se os fatores precipitantes foram identificados e corrigidos (flexibilidade mantida, atividade progressiva).
A síndrome de Sever é uma condição frequente em crianças atletas em São Paulo, mas totalmente evitável e tratável com abordagem correta. Alongamento de panturrilha, palmilhas customizadas e modificação de atividade resolvem a maioria dos casos. Nenhuma criança deve ser privada de praticar seu esporte favorito por essa condição.
Se seu filho em São Paulo tem dor no calcanhar relacionada a esportes, agende avaliação. Oferecemos diagnóstico preciso, palmilhas customizadas e plano de tratamento para retorno seguro ao esporte. Entre em contato pelo WhatsApp (11) 98799-3104.
Dr. Paulo Zugliani — Ortopedista e Traumatologista | CRM 67141/SP | Especialista em Pé e Tornozelo | São Paulo, SP | Especialista em Ortopedia Pediátrica
