Saúde dos tornozelos Archives - Dr. Paulo Zugliani https://drpaulozugliani.com.br/category/saude-dos-tornozelos/ Mon, 08 Jun 2026 13:38:14 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.2 https://drpaulozugliani.com.br/wp-content/uploads/2024/05/cropped-SIMBOLO_BRANCO_Dr.-PAULO_fundo-transparente-scaled-1-32x32.webp Saúde dos tornozelos Archives - Dr. Paulo Zugliani https://drpaulozugliani.com.br/category/saude-dos-tornozelos/ 32 32 Artrose no tornozelo: quando o desgaste limita caminhar https://drpaulozugliani.com.br/artrose-no-tornozelo/ https://drpaulozugliani.com.br/artrose-no-tornozelo/#respond Mon, 22 Jun 2026 13:36:44 +0000 https://drpaulozugliani.com.br/?p=792 A artrose no tornozelo é uma condição extremamente incapacitante que muitos pacientes atribuem ao envelhecimento natural. Na verdade, na maioria dos casos, é resultado de traumas antigos, fraturas mal consolidadas ou entorses de repetição que deixaram sequelas. Poucos sabem que o tornozelo é uma articulação que sofre muito com pequenos desalinhamentos. Diferente da artrose de […]

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A artrose no tornozelo é uma condição extremamente incapacitante que muitos pacientes atribuem ao envelhecimento natural. Na verdade, na maioria dos casos, é resultado de traumas antigos, fraturas mal consolidadas ou entorses de repetição que deixaram sequelas. Poucos sabem que o tornozelo é uma articulação que sofre muito com pequenos desalinhamentos.

Diferente da artrose de joelho e quadril, a artrose do tornozelo frequentemente tem origem em lesões prévias. Aproximadamente 80% dos casos são pós-traumáticos. 

Apenas 7% são resultado do envelhecimento natural. Isso significa que tratar adequadamente as lesões agudas do tornozelo é fundamental para prevenir artrose anos depois.

O que é artrose no tornozelo

A artrose é o desgaste progressivo da cartilagem articular que reveste os ossos do tornozelo. Essa cartilagem é um tecido liso e flexível que permite o movimento sem atrito. Quando é danificada, os ossos começam a roçar um contra o outro, provocando dor intensa e inflamação.

Com o desgaste da cartilagem, surgem osteófitos (esporões ósseos) que tentam estabilizar a articulação. No entanto, esses osteófitos ocupam espaço e limitam ainda mais o movimento. A cápsula articular inflama, os ligamentos degeneram e o tornozelo fica rígido.

A causa mais comum é artrose pós-traumática, resultado de fraturas, entorses graves ou instabilidade crônica do tornozelo. Pessoas que sofreram fraturas do tornozelo há muitos anos e não tiveram recuperação adequada têm risco muito elevado. Entorses repetidas também predispõem ao desenvolvimento precoce de artrose.

Sintomas e progressão

O primeiro sintoma é dor que piora com o movimento e melhora com repouso. Gradualmente, surge rigidez articular, principalmente ao acordar ou após períodos de inatividade. O tornozelo incha, esquenta e fica vermelho. Andar em terrenos irregulares ou descer escadas piora significativamente.

Com a evolução, a dor passa a ser constante, mesmo em repouso. A pessoa muda seu padrão de caminhada, o que pode sobrecarregar joelho e quadril. A qualidade de vida fica severamente comprometida. Atividades simples como caminhar no parque ou subir escadas ficam impossíveis.

Como faço o diagnóstico

Faço radiografia do tornozelo com carga, que mostra claramente o desgaste da cartilagem e a presença de osteófitos. Avaliações específicas medem a amplitude de movimento residual. A ressonância magnética complementa o diagnóstico, mostrando o estado da cartilagem em detalhes.

O grau de artrose influencia diretamente o tipo de tratamento que vou indicar. Casos leves a moderados geralmente respondem bem ao tratamento conservador. Casos avançados podem exigir cirurgia.

Opções de tratamento conservador

Oriento perda de peso para reduzir a carga sobre a articulação. Uso de órteses (tornozeleiras) oferece suporte e reduz a dor. Infiltrações de ácido hialurônico lubrificam a articulação e melhoram os sintomas por 3 a 6 meses.

Fisioterapia com fortalecimento muscular estabiliza a articulação e reduz o uso anormal do tornozelo. Anti-inflamatórios ajudam no controle da dor. Modificação de atividades, evitando terrenos irregulares e exercícios de impacto, também é fundamental.

Quando a cirurgia está indicada

Existem duas principais opções cirúrgicas. A artrodese funde os ossos do tornozelo, eliminando o movimento articular e portanto a dor, mas o tornozelo fica rígido. A artroplastia (prótese) substitui as superfícies articulares desgastadas, mantendo parte do movimento.

A escolha depende da idade, qualidade óssea, demanda funcional e preferência do paciente. Próteses são mais adequadas para pessoas mais jovens que querem manter mobilidade. Artrodese é preferida para idosos com menor demanda funcional.

A recuperação cirúrgica leva de 6 a 12 semanas. Fisioterapia pós-operatória é essencial para otimizar os resultados. A maioria dos pacientes retorna às atividades diárias em 3 a 4 meses.

Prevenção

Tratar adequadamente as fraturas e entorses do tornozelo é o melhor investimento em prevenção. Reabilitação completa com fisioterapia após lesões agudas reduz drasticamente o risco de artrose futura.

Manter peso saudável e usar calçados apropriados protegem o tornozelo. Evitar terrenos muito irregulares também ajuda. Fortalecer a musculatura do pé e tornozelo através de exercícios previne entorses de repetição.

Tenha uma avaliação completa

A artrose no tornozelo é uma condição degenerativa que causa dor e limitação funcional progressiva. A maioria dos casos é resultado de traumas antigos inadequadamente tratados. Prevenção através do tratamento correto das lesões agudas é essencial.

O tratamento conservador funciona bem em casos leves e moderados. Para casos avançados, cirurgia com prótese ou artrodese oferece alívio duradouro. A decisão deve ser individualizada considerando idade, demanda funcional e preferência do paciente.

Se você tem dor persistente no tornozelo ou foi diagnosticado com artrose, agende consulta. Atendo em São Paulo com avaliação completa e plano de tratamento personalizado. Entre em contato pelo WhatsApp (11) 98799-3104.

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Fascite plantar: aquela dor horrível no calcanhar ao acordar https://drpaulozugliani.com.br/fascite-plantar-2/ https://drpaulozugliani.com.br/fascite-plantar-2/#respond Mon, 08 Jun 2026 13:36:23 +0000 https://drpaulozugliani.com.br/?p=788 A fascite plantar é a causa mais comum de dor no calcanhar que atendo no consultório. O paciente chega reclamando de uma dor intensa logo ao acordar, que piora ao colocar o pé no chão para os primeiros passos.  Essa dor característica melhora um pouco com o aquecimento durante o dia, mas volta à noite […]

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A fascite plantar é a causa mais comum de dor no calcanhar que atendo no consultório. O paciente chega reclamando de uma dor intensa logo ao acordar, que piora ao colocar o pé no chão para os primeiros passos. 

Essa dor característica melhora um pouco com o aquecimento durante o dia, mas volta à noite ou após atividades que exigem impacto. É uma condição extremamente incapacitante que afeta cerca de 10% da população.

A fascite plantar é mais comum entre 40 e 60 anos e afeta igualmente homens e mulheres. No entanto, vejo casos em pessoas mais jovens, especialmente atletas e corredores. Mulheres que usam salto alto constantemente têm risco aumentado. O sobrepeso e o envelhecimento também contribuem para o desenvolvimento dessa inflamação.

O que é a fascite plantar

A fascite plantar é a inflamação da fáscia plantar, um tecido fibroso espesso que percorre toda a sola do pé, desde o calcanhar até os dedos. Essa estrutura funciona como uma mola, absorvendo o impacto durante a caminhada e mantendo o arco do pé. Quando esse tecido é sobrecarregado, desenvolve microlesões repetitivas que causam inflamação.

Na verdade, o termo fascite pode ser enganoso. Estudos modernos mostram que não se trata apenas de inflamação aguda, mas de um processo degenerativo crônico. O tecido da fáscia sofre microrupturas e degeneração das fibras de colágeno. Por isso, o tratamento deve focar em restaurar a saúde e a resistência do tecido, não apenas reduzir a inflamação.

As principais causas são o encurtamento da cadeia posterior da perna, uso de calçados inadequados, pés com arcos muito altos ou muito planos, sobrepeso, e aumento súbito de atividade física. Certos trabalhos que exigem ficar muito tempo em pé também favorecem o desenvolvimento da fascite.

Por que dói ao acordar

A dor ao acordar é uma característica marcante dessa condição. Durante a noite, enquanto dormimos, a fáscia fica contraída e “encurtada”. Ao acordarmos e colocarmos o pé no chão para caminhar, essa estrutura encurtada é subitamente esticada. Isso causa uma dor aguda e intensa que é o sintoma mais típico da fascite plantar.

Com alguns minutos de movimento, a fáscia aquece e alonga um pouco, melhorando a dor. No entanto, se a pessoa fica muito tempo parada durante o dia e volta a caminhar, a dor retorna. Atividades que exigem impacto, como corrida ou pular, também provocam dor, geralmente ocorrendo horas depois da atividade ou no dia seguinte.

Como faço o diagnóstico

O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história típica e no exame físico. Palpo especificamente a região do calcâneo, procurando por um ponto de dor muito localizado na inserção da fáscia no osso. A dor ao alongar a fáscia (deixando a ponta do pé levantada) é muito característica.

Solicito radiografia do pé com carga para avaliar se há esporão de calcâneo associado. Apesar do nome popular, o esporão não é a causa principal da dor, mas uma consequência do desalinhamento biomecânico. O ultrassom é meu exame preferido para avaliar a espessura da fáscia e confirmar o diagnóstico.

O que a ciência diz

Uma meta-análise publicada em Balneol Med 2024 (Melese et al.) incluiu 11 estudos randomizados sobre tratamento com ondas de choque para fascite plantar. Os autores concluíram que a terapia por ondas de choque (ESWT) é eficaz e bem tolerada, com poucos efeitos colaterais. Melhorias significativas em dor e função foram observadas em até 70% dos pacientes.

Outro estudo publicado comparou ondas de choque com ultrassom terapêutico para fascite plantar. Ambas as técnicas foram eficazes, mas ondas de choque mostraram superioridade na redução da dor matinal, o sintoma mais incapacitante.

Opções de tratamento

Tratamento conservador

O primeiro passo é sempre conservador. Oriento alongamentos regulares da panturrilha e da fáscia plantar, realizados pelo menos 3 vezes ao dia. Uso de palmilhas com suporte do arco ajuda a distribuir melhor as forças e reduz a tensão na fáscia.

Sapatos adequados com bom amortecimento fazem diferença. Evitar salto muito alto ou muito plano é importante. Gelo local por 15 minutos após atividades, anti-inflamatórios orais e repouso relativo complementam o tratamento. Mais de 90% dos pacientes melhoram com essas medidas quando realizadas consistentemente por 6 a 12 semanas.

Terapia por ondas de choque

Quando o tratamento conservador não resolve em 3 meses, indico ondas de choque. Realizo o procedimento no consultório, sem necessidade de anestesia geral. São necessárias 3 a 5 sessões semanais. A taxa de sucesso varia de 60% a 80% conforme a literatura.

A terapia funciona estimulando a regeneração tecidual e aumentando o fluxo sanguíneo na região. Os resultados aparecem de forma gradual ao longo de 8 a 12 semanas após o término das sessões.

Quando a cirurgia está indicada

A cirurgia é reservada para menos de 10% dos casos que não melhoram após 6 meses de tratamento conservador bem conduzido. O procedimento consiste em relaxar a fáscia fazendo um pequeno corte na sua inserção no calcâneo, e geralmente associo alongamento do tendão de Aquiles.

A recuperação cirúrgica leva 4 a 6 semanas. Após esse período, fisioterapia intensiva é necessária. Porém, a maioria dos pacientes pode ser evitada com diagnóstico e tratamento precoces.

Prevenção

Manter a flexibilidade da panturrilha através de alongamentos regulares é a melhor prevenção. Usar sapatos com bom suporte e evitar calçados inadequados protege a fáscia. Controlar o peso corporal reduz a sobrecarga. Aumentar a atividade física de forma gradual, não brusca, também previne o surgimento da fascite.

Não conviva com a dor

A fascite plantar é uma condição comum e incapacitante que causa dor intensa ao acordar. O tratamento conservador com alongamentos, sapatos adequados e fisioterapia resolve a maioria dos casos. Ondas de choque são uma excelente opção para casos resistentes, com taxa de sucesso acima de 60%.

A cirurgia é raramente necessária quando o tratamento é iniciado precocemente. Por isso, ao primeiro sinal de dor no calcanhar, procure avaliação médica. E para agendar consulta comigo em São Paulo para diagnóstico e plano de tratamento, entre em contato pelo WhatsApp (11) 98799-3104.

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Tendinite do tendão de Aquiles: aquela dor atrás do calcanhar que não passa https://drpaulozugliani.com.br/tendinite-do-tendao-de-aquiles/ https://drpaulozugliani.com.br/tendinite-do-tendao-de-aquiles/#respond Mon, 20 Apr 2026 12:47:41 +0000 https://drpaulozugliani.com.br/?p=779 A tendinite do tendão de Aquiles é uma das queixas mais frequentes entre corredores e praticantes de esportes de impacto que atendo. O paciente chega relatando dor na parte de trás do tornozelo que começou leve, piorou com o tempo e agora impede até atividades simples como subir escadas. Essa lesão por sobrecarga tem tratamento […]

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A tendinite do tendão de Aquiles é uma das queixas mais frequentes entre corredores e praticantes de esportes de impacto que atendo. O paciente chega relatando dor na parte de trás do tornozelo que começou leve, piorou com o tempo e agora impede até atividades simples como subir escadas. Essa lesão por sobrecarga tem tratamento eficaz quando iniciado precocemente, mas pode evoluir para ruptura total se negligenciada.

Dados mostram que 70% das pessoas com tendinite de Aquiles são corredores ou praticantes de esportes que envolvem corrida e saltos. No entanto, pessoas sedentárias também desenvolvem o problema, especialmente após os 40 anos quando o tendão perde elasticidade natural. O tendão de Aquiles é o mais forte do corpo humano, suportando até 12 vezes o peso corporal, mas essa força não o torna imune a lesões.

Neste artigo explico o que é a tendinite de Aquiles, por que ela acontece, os dois tipos principais de lesão, como faço o diagnóstico e quais são os tratamentos disponíveis hoje. Falo também sobre quando a cirurgia realmente está indicada. Sigo sempre as diretrizes científicas atualizadas no tratamento dessa condição.

O que é a tendinite do tendão de Aquiles

O tendão de Aquiles conecta os músculos da panturrilha (gastrocnêmio e sóleo) ao osso do calcanhar (calcâneo). Sua função é fundamental: traciona o calcanhar para cima durante a caminhada, corrida e saltos. Quando esse tendão sofre microlesões repetitivas sem tempo adequado para cicatrização, desenvolve-se um processo inflamatório chamado tendinite.

Na verdade, o termo mais correto é tendinopatia de Aquiles. Isso porque, em muitos casos, não há apenas inflamação. Ocorre também degeneração das fibras de colágeno que formam o tendão. Essas fibras desorganizadas enfraquecem a estrutura e aumentam o risco de ruptura. Por isso, tratar precocemente é fundamental para evitar a progressão da lesão.

A tendinopatia resulta de um desequilíbrio entre carga e capacidade de suporte. Quando exigimos do tendão mais do que ele está preparado para aguentar naquele momento, surgem as microlesões. Fatores como aumento súbito de volume de treino, corrida em terrenos inclinados, calçados inadequados, sobrepeso e envelhecimento aumentam o risco de desenvolver a lesão.

Os dois tipos de tendinite de Aquiles

Tendinite não insercional (corpo do tendão)

Essa forma acomete a parte central do tendão, geralmente entre 2 a 6 cm acima do calcanhar. Essa região é chamada de zona crítica porque tem menor vascularização. Ou seja, recebe menos sangue e oxigênio, o que torna a cicatrização mais lenta. Por isso, o tratamento costuma ser mais demorado nesse tipo.

O paciente nota espessamento visível do tendão nessa região. Ao palpar, sinto um tendão endurecido e doloroso. Em casos mais avançados, aparecem nódulos dentro do tendão, que são áreas de degeneração. A dor piora com atividades de impacto e melhora com repouso, especialmente no início do quadro.

Tendinite insercional (inserção no calcâneo)

Aqui a lesão ocorre exatamente no ponto onde o tendão se conecta ao osso do calcanhar. Geralmente está associada a outras alterações como esporão posterior do calcâneo (deformidade de Haglund) e bursite retro calcânea. Essas estruturas ósseas proeminentes friccionam o tendão constantemente, perpetuando a inflamação.

Nesse tipo, a dor é bem localizada na parte posterior do calcanhar. Piora ao usar calçados fechados que comprimem a região e ao subir em superfícies inclinadas. O tratamento conservador funciona bem, mas em alguns casos a remoção cirúrgica do esporão ósseo é necessária quando as medidas clínicas falham.

Como a dor evolui: reconheça os sinais

No começo, a dor aparece apenas no início da atividade física. Após alguns minutos de aquecimento, o tendão “esquenta” e a dor melhora ou desaparece. O paciente consegue terminar o treino sem grandes problemas. Volta a doer após a atividade, especialmente à noite e nas primeiras pisadas do dia seguinte ao acordar.

Esse é o momento ideal para procurar tratamento. Muita gente ignora essa dor inicial achando que é apenas cansaço muscular. No entanto, é nessa fase que o tratamento conservador funciona melhor e mais rápido. Basta ajustar o treino, fortalecer a musculatura e fazer fisioterapia para resolver o problema em 4 a 8 semanas.

Fase intermediária

Com a evolução, a dor passa a estar presente durante toda a atividade física. O paciente não consegue mais “aquecer” o tendão e fazer a dor passar. Precisa reduzir a intensidade do treino ou até interrompê-lo. A dor também aparece em atividades simples como subir escadas e andar em terrenos irregulares.

Nessa fase, o tendão já apresenta alterações estruturais visíveis no ultrassom ou ressonância. O espessamento é evidente e a força muscular da panturrilha diminui. O tratamento ainda é conservador, mas exige mais tempo e dedicação. Fisioterapia, ondas de choque e modificação completa das atividades são necessárias.

Fase avançada

Na forma mais grave, a dor torna-se constante, mesmo em repouso. O paciente tem dificuldade para caminhar e não consegue ficar na ponta dos pés. O tendão fica muito espesso e rígido. Há risco real de ruptura completa a qualquer momento, o que seria uma emergência cirúrgica.

Felizmente, poucos casos chegam a esse ponto. Quando acontece, geralmente é porque o paciente ignorou os sinais por meses ou até anos. Por isso, insisto sempre: ao primeiro sinal de dor persistente no tendão de Aquiles, procure um ortopedista especialista em pé e tornozelo.

Como faço o diagnóstico

A história clínica é fundamental. Pergunto sobre o padrão da dor, quando começou, o que piora e o que alivia. Investigo também mudanças recentes no treino, tipo de calçado usado e presença de doenças como diabetes que afetam a qualidade do tendão. Ao exame físico, palpo todo o trajeto do tendão procurando por áreas de espessamento e dor localizada.

Testo a força muscular pedindo ao paciente para subir repetidamente na ponta dos pés. Na tendinite, esse movimento gera dor e o paciente tem dificuldade. Avalio também a flexibilidade da panturrilha, pois o encurtamento muscular sobrecarrega o tendão. Solicito radiografia lateral do tornozelo para identificar calcificações no tendão ou esporões no calcâneo.

O ultrassom é meu exame de escolha para avaliar a estrutura do tendão. Mostra espessamento, áreas de degeneração, neovascularização e presença de rupturas parciais. A ressonância magnética complementa quando há dúvida diagnóstica ou suspeita de lesões associadas. Segundo protocolos da Mayo Clinic, essa abordagem diagnóstica é a mais adequada.

O que a ciência diz sobre o tratamento

Uma revisão sistemática publicada na revista Cureus em 2022 avaliou a eficácia da terapia por ondas de choque para tendinite de Aquiles. Os autores analisaram 6 estudos randomizados e concluíram que ondas de choque associadas a exercícios excêntricos foram superiores aos exercícios isolados. Houve melhora significativa na dor e na função aos 3 e 6 meses de seguimento.

Outro estudo randomizado publicado no Journal of Bone and Joint Surgery em 2021 comparou ondas de choque mais exercícios excêntricos versus exercícios excêntricos isolados para tendinite insercional. 

Após 24 semanas, ambos os grupos melhoraram significativamente, mas não houve diferença estatística entre eles. Isso mostra que os exercícios excêntricos são a base do tratamento.

Opções de tratamento para tendinite de Aquiles

O primeiro passo é reduzir ou suspender temporariamente as atividades que causam dor. Isso não significa repouso absoluto. Substituir a corrida por atividades de menor impacto como natação, ciclismo ou elíptico mantém o condicionamento sem sobrecarregar o tendão. Essa modificação deve durar de 4 a 8 semanas dependendo da gravidade.

Usar calcanheiras de silicone ou palmilhas que elevam discretamente o calcanhar (5-10mm) reduz a tensão sobre o tendão durante a caminhada. Evitar terrenos muito inclinados, escadas excessivas e atividades que exijam saltos também faz parte do tratamento inicial. Gelo local por 15-20 minutos após atividades ajuda no controle da dor.

Fisioterapia e exercícios excêntricos

Os exercícios excêntricos são o pilar do tratamento conservador. O protocolo de Alfredson é o mais estudado e consiste em subir na ponta dos pés e descer lentamente até o calcanhar ficar abaixo do nível do degrau. Realizar 3 séries de 15 repetições, duas vezes ao dia, por 12 semanas. Esse exercício estimula a reorganização das fibras de colágeno e fortalece o tendão.

A fisioterapia complementa com alongamento da panturrilha, fortalecimento dos músculos intrínsecos do pé e exercícios de propriocepção. Técnicas como laser de baixa potência, ultrassom terapêutico e dry needling aceleram a cicatrização. O fisioterapeuta também corrige padrões de movimento inadequados que contribuem para a sobrecarga do tendão.

Terapia por ondas de choque

As ondas de choque são ondas acústicas de alta energia que estimulam a regeneração tecidual. Realizo o procedimento no consultório, sem necessidade de anestesia em casos leves. São necessárias geralmente 3 a 5 sessões semanais. A energia das ondas provoca microtraumas controlados que aumentam o fluxo sanguíneo e ativam células de reparação.

Os resultados aparecem de forma gradual ao longo de 8 a 12 semanas após o término das sessões. A taxa de sucesso varia de 60 a 80% conforme a literatura. Pacientes que não melhoram com fisioterapia isolada após 3 meses são os melhores candidatos para essa terapia. Uso ondas de choque especialmente na tendinite não insercional, onde a vascularização é menor.

Quando a cirurgia está indicada

A cirurgia fica reservada para casos refratários ao tratamento conservador bem conduzido por pelo menos 6 meses. O procedimento consiste em remover as áreas de tecido degenerado do tendão e estimular a cicatrização. Na tendinite insercional, removo também o esporão ósseo quando presente. Realizo por via aberta ou artroscópica dependendo do caso.

A recuperação cirúrgica leva de 4 a 6 meses até retorno completo às atividades esportivas. Durante esse período, o paciente usa bota imobilizadora por 2 a 4 semanas, seguida de fisioterapia intensiva. A taxa de sucesso cirúrgico é alta, acima de 85%, mas a cirurgia sempre é a última opção após esgotadas todas as medidas conservadoras.

Tenha ajuda especializada

A tendinite do tendão de Aquiles é uma lesão por sobrecarga que responde bem ao tratamento conservador quando iniciado precocemente. Exercícios excêntricos, fisioterapia e ondas de choque são eficazes em até 75% dos casos. Ignorar os sintomas iniciais leva à cronificação e ao risco de ruptura tendínea.

O sucesso do tratamento depende da adesão do paciente ao protocolo de exercícios e da paciência para aguardar a cicatrização do tendão. Voltar ao esporte antes da hora é o erro mais comum e aumenta o risco de recorrência. Portanto, siga rigorosamente as orientações médicas e de fisioterapia.

Se você tem dor persistente atrás do calcanhar, agende uma consulta. Atendo em São Paulo e ofereço avaliação completa com ultrassom no consultório e plano de tratamento individualizado. Entre em contato pelo WhatsApp.

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Entorse de tornozelo: quando pisar em falso vira problema sério

A entorse de tornozelo é a lesão musculoesquelética mais comum que vejo no consultório. Atende desde atletas profissionais até pessoas que simplesmente pisaram em falso em um degrau. O tornozelo torce, dói, incha e a primeira pergunta que ouço é sempre a mesma: preciso operar? Na verdade, a grande maioria das entorses se recupera muito bem sem cirurgia quando tratada corretamente desde o início.

Dados epidemiológicos mostram que ocorrem aproximadamente 2 milhões de entorses de tornozelo por ano só nos Estados Unidos. No Brasil, representa cerca de 25% de todas as lesões esportivas. Em esportes como basquete essa taxa chega a 45% das lesões, no vôlei até 34%. Por isso, entender como tratar corretamente essa lesão é fundamental para evitar problemas crônicos.

Neste artigo explico o que acontece quando o tornozelo entorta, os diferentes graus de lesão, como faço o diagnóstico e qual é o melhor tratamento. Falo também sobre quando a cirurgia realmente está indicada. Sigo sempre as orientações do Conselho Federal de Medicina no tratamento dessa condição.

O que acontece quando você torce o tornozelo

A entorse de tornozelo acontece quando os ligamentos que estabilizam a articulação são estirados além da sua capacidade normal. O ligamento é uma estrutura fibrosa que conecta os ossos e mantém a articulação alinhada durante os movimentos. Quando essa estrutura é forçada demais, pode ocorrer desde um simples estiramento até a ruptura completa das fibras.

Em 85% dos casos, a entorse acontece por inversão. Isso significa que o pé vira para dentro e o tornozelo para fora. Esse movimento lesiona os ligamentos laterais, especialmente o talofibular anterior e o calcaneofibular. Esses são os ligamentos mais frágeis e mais frequentemente lesionados. Em casos mais raros, a entorse ocorre por eversão, virando o pé para fora, o que afeta os ligamentos mediais.

O mecanismo mais comum é pisar em terreno irregular, em um buraco, ou no pé de outra pessoa durante a prática esportiva. Mulheres que usam salto alto têm maior risco porque o calcanhar elevado deixa o tornozelo em posição instável. Pessoas com sobrepeso, com fraqueza muscular na panturrilha ou que já tiveram entorses prévias também têm maior chance de sofrer novas lesões.

Os três graus da entorse de tornozelo

Grau 1: Estiramento ligamentar leve

Nessa forma mais leve, ocorre apenas um estiramento das fibras ligamentares sem ruptura. A dor é moderada, o inchaço é discreto e o paciente consegue colocar o pé no chão com algum desconforto. A recuperação costuma levar de 7 a 15 dias com tratamento adequado. Não é necessária imobilização rígida nesse grau.

O erro mais comum no grau 1 é ignorar a lesão e voltar ao esporte muito rapidamente. Mesmo sendo leve, o ligamento precisa cicatrizar adequadamente. Por isso, sempre oriento repouso relativo, gelo e fisioterapia precoce para evitar instabilidade futura.

Grau 2: Lesão ligamentar parcial

Aqui ocorre ruptura parcial das fibras do ligamento. A dor é mais intensa, o inchaço é significativo e aparecem manchas roxas ao redor do tornozelo. O paciente tem dificuldade para caminhar e não consegue apoiar totalmente o peso sobre o pé lesionado. A recuperação leva de 6 a 8 semanas em média.

Nesse grau, a imobilização com bota ortopédica ou tala semirrígida é recomendada por 2 a 3 semanas. A fisioterapia começa logo após o período inicial de repouso, focando em recuperação da amplitude de movimento e fortalecimento muscular. Sem fisioterapia adequada, o risco de sequela funcional aumenta bastante.

Grau 3: Lesão ligamentar completa

Essa é a forma mais grave, com ruptura completa do ligamento. A dor é intensa no momento da lesão, o tornozelo incha rapidamente e surgem grandes manchas roxas. O paciente não consegue apoiar o pé no chão e tem sensação de instabilidade. A recuperação pode levar de 8 a 12 semanas, chegando até 4 meses nos casos mais severos.

No grau 3, a imobilização é necessária por 2 a 4 semanas com bota ortopédica. Após esse período inicial, começa a reabilitação com fisioterapia intensiva. A cirurgia raramente está indicada na fase aguda, apenas nos casos em que há lesões associadas graves ou instabilidade extrema que não melhora com tratamento conservador.

Como faço o diagnóstico

O diagnóstico começa pela história do trauma. Pergunto como aconteceu a torção, se a pessoa ouviu algum estalo e se consegue colocar o pé no chão. Ao exame físico, avalio o local exato da dor, o grau de inchaço e a presença de hematomas. Testo a estabilidade dos ligamentos com manobras específicas.

Solicito radiografia do tornozelo sempre que há dificuldade importante para caminhar ou dor à palpação em pontos ósseos específicos. Essas indicações seguem as regras de Ottawa, que evitam radiografias desnecessárias. A radiografia mostra se há fratura associada, o que muda completamente o tratamento. Cerca de 15% das entorses têm fraturas por avulsão associadas.

A ressonância magnética fica reservada para casos em que a dor persiste após 3 meses de tratamento conservador bem conduzido. Esse exame mostra lesões de cartilagem, rupturas ligamentares completas e lesões dos tendões fibulares que podem estar associadas. A American Academy of Orthopaedic Surgeons recomenda esse protocolo de investigação.

O que a ciência diz sobre o tratamento

Uma revisão sistemática publicada na revista Frontiers in Medicine em 2022 (Gaddi et al.) analisou 24 estudos com milhares de pacientes. Os autores concluíram que o tratamento funcional é superior à imobilização prolongada. Pacientes tratados funcionalmente retornaram ao esporte 4,9 dias mais cedo e ao trabalho 8,2 dias mais cedo do que os imobilizados. Além disso, tiveram menos inchaço persistente e menos instabilidade crônica.

Outro estudo publicado no Open Access Journal of Sports Medicine em 2023 (Jungmann et al.) avaliou especificamente o tratamento de entorses grau 3. Os autores recomendam imobilização por no máximo 10 dias, seguida de tratamento funcional com órtese semirrígida por até 6 semanas. Esse protocolo resultou em menos rigidez articular e melhor recuperação funcional comparado à imobilização prolongada.

Opções de tratamento para entorse de tornozelo

Protocolo PRICE nas primeiras 48 horas

O tratamento inicial segue o protocolo PRICE: Proteção, Repouso, Ice (gelo), Compressão e Elevação. Proteger significa evitar apoiar peso sobre o tornozelo lesionado. O repouso não é absoluto, mas relativo às atividades que causam dor. Aplico gelo por 20 minutos a cada 2 a 3 horas durante as primeiras 48 horas.

A compressão com bandagem elástica ajuda a controlar o inchaço. No entanto, não pode apertar demais para não prejudicar a circulação. Manter o pé elevado acima do nível do coração sempre que possível reduz significativamente o edema. Anti-inflamatórios orais podem ser usados por 3 a 5 dias para controle da dor.

Imobilização: quando e por quanto tempo

Para entorses grau 1, uso apenas bandagem elástica ou tornozeleira semirrígida sem restrição de movimento. Para grau 2, recomendo bota ortopédica tipo Robofoot ou Air-Cast por 2 a 3 semanas. Essas órteses permitem a flexão e extensão do tornozelo mas bloqueiam a inversão e eversão, protegendo os ligamentos durante a cicatrização.

No grau 3, a imobilização com bota ortopédica é necessária por 2 a 4 semanas. Jamais uso gesso rígido como primeira escolha porque aumenta muito o risco de rigidez articular, atrofia muscular e perda de propriocepção. A bota pode ser removida para fisioterapia e aplicação de gelo, acelerando a recuperação.

Fisioterapia: a chave da recuperação

A fisioterapia começa logo após o período inicial de repouso. Na fase aguda, o foco é reduzir dor e inchaço com recursos como ultrassom, laser e neuroestimulação. Assim que a dor permite, iniciam-se exercícios de amplitude de movimento para evitar rigidez. Alongamentos suaves da panturrilha são fundamentais.

Na fase de fortalecimento, trabalho os músculos fibulares que estabilizam lateralmente o tornozelo. Exercícios com faixas elásticas, subida na ponta dos pés e exercícios em superfícies instáveis recuperam a força e o equilíbrio. A fase funcional inclui exercícios de agilidade, mudança de direção e saltos progressivos antes do retorno ao esporte.

Quando a cirurgia está indicada

A cirurgia para reconstrução ligamentar fica reservada para casos muito específicos. Indico quando há instabilidade crônica do tornozelo após 6 meses de reabilitação bem conduzida. Também opero quando há fraturas por avulsão desviadas ou lesões ligamentares completas associadas a outras lesões graves. Menos de 5% das entorses agudas necessitam cirurgia.

Realizo a reconstrução ligamentar por via artroscópica sempre que possível. O procedimento reconstrói os ligamentos rompidos usando enxertos ou fazendo reparo anatômico das estruturas. A recuperação cirúrgica leva de 3 a 6 meses até retorno completo ao esporte de alto rendimento.

Como prevenir novas entorses

Quem já teve uma entorse tem risco 5 vezes maior de sofrer outra. Por isso, a prevenção é tão importante quanto o tratamento. Uso de tornozeleira ou enfaixamento funcional durante a prática esportiva por pelo menos 6 meses após a lesão reduz significativamente o risco de recorrência. Estudos mostram que tornozeleiras previnem até 70% das reentorses.

Além disso, oriento programa de treino proprioceptivo contínuo. Exercícios de equilíbrio em uma perna só, apoio em superfícies instáveis e exercícios específicos de agilidade mantêm os ligamentos e músculos preparados. Fortalecimento dos músculos fibulares duas vezes por semana reduz o risco de nova lesão pela metade.

Tenha o tratamento correto

A entorse de tornozelo é uma lesão extremamente comum, mas que exige tratamento correto para evitar problemas crônicos. O tratamento funcional com mobilização precoce e fisioterapia é superior à imobilização prolongada. A grande maioria dos casos se recupera completamente sem necessidade de cirurgia.

O erro mais grave é negligenciar a lesão e voltar às atividades sem reabilitação adequada. Isso aumenta muito o risco de nova entorse e de instabilidade crônica do tornozelo. Portanto, mesmo nas entorses leves, procure avaliação ortopédica e siga corretamente o protocolo de tratamento.

Se você torceu o tornozelo recentemente ou sofre com entorses de repetição, agende uma consulta. Atendo em São Paulo e ofereço avaliação completa com protocolo de tratamento individualizado. Entre em contato pelo WhatsApp.

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