A tendinite dos tendões fibulares é uma condição que vejo frequentemente em corredores, jogadores de futebol e pessoas ativas em São Paulo que chegam ao consultório com queixa de dor intensa na lateral do tornozelo.
Muitos confundem com entorse ou instabilidade, mas a verdade é que se trata de uma inflamação dos tendões que correm pelo lado externo do tornozelo. Quando tratada cedo, essa condição responde muito bem. Negligenciada, pode evoluir para rupturas.
A tendinite peroneal afeta os tendões dos músculos fibulares que estabilizam lateralmente o pé e tornozelo. Esses tendões ficam inflamados por sobrecarga repetitiva, especialmente em atividades que envolvem corrida em terrenos irregulares, mudanças rápidas de direção ou aumento súbito de intensidade de treino.
Neste artigo explico o que causa tendinite fibular, por que atletas em São Paulo sofrem com essa condição, como diagnosticar corretamente e qual é o melhor tratamento conservador antes de considerar cirurgia.
Anatomia dos tendões fibulares e por que inflamam
Os músculos fibulares estão localizados na lateral da perna. O fibular longo e o fibular curto originam-se na fíbula (osso lateral da perna) e seus tendões descem até a lateral do tornozelo. Esses tendões passam por um “túnel” ósseo atrás do maléolo lateral (osso mais proeminente da lateral do tornozelo).
Esses tendões são responsáveis por um movimento chamado eversão: inclinar a sola do pé para fora. Quando corremos, mudamos de direção ou pisamos em terreno irregular, os fibulares trabalham intensamente para manter o tornozelo estável.
Quando há sobrecarga repetitiva, os tendões desenvolvem inflamação. Se a carga for muito rápida ou o tendão não tiver tempo para se recuperar entre treinos, a inflamação vira tendinite. Alguns atletas em São Paulo que aumentam repentinamente o volume de corrida desenvolvem tendinite fibular em dias.
Sintomas que começam leves e progridem
Inicialmente, o paciente sente dor apenas na lateral do tornozelo durante atividades de impacto ou mudanças de direção. A dor diminui com repouso. Frequentemente, o atleta continua treinando achando que passa.
Gradualmente, a dor passa a aparecer durante aquecimento, piora durante o treino e persiste após. Alguns descrevem uma sensação de “instabilidade” lateral do tornozelo. O inchaço pode aparecer na região lateral do tornozelo.
Na fase avançada, a simples caminhada causa dor. O tendão fica tão inflamado que qualquer movimento causa desconforto. Nesse ponto, o atleta foi forçado a parar completamente.
Diagnóstico preciso diferencia de instabilidade
O diagnóstico começa com história detalhada. Pergunto quando começou, o que piora, se há histórico de entorse. Durante o exame, palpo a região lateral do tornozelo sobre o trajeto dos tendões fibulares. Reproduzo a dor comprimindo o tendão.
Realizo testes de resistência específicos para os fibulares: peço ao paciente para fazer eversão do pé contra minha resistência. Dor durante esse movimento confirma envolvimento dos fibulares.
Ultrassom é meu exame de escolha: mostra inflamação dos tendões, possível espessamento, e descarta rupturas. Ressonância magnética complementa quando há suspeita de ruptura completa. Radiografia afasta problemas ósseos associados.
Tratamento conservador que verdadeiramente funciona
Uma revisão sistemática publicada no Foot and Ankle Surgery em 2023 mostrou que tratamento conservador com atividade modificada, imobilização temporária e injeções de corticosteroide resulta em sucesso em 60-70% dos pacientes.
Outra publicação em StatPearls 2023 (NIH) confirmou que tratamento conservador deve ser mantido por 4-6 meses para permitir cicatrização adequada dos tendões inflamados.
O tratamento começa com repouso relativo. O atleta reduz drasticamente ou interrompe a atividade que causa dor. Substitui corrida por natação ou ciclismo se possível. Gelo local por 20 minutos, 3-4 vezes ao dia nos primeiros dias controla inflamação.
Anti-inflamatórios orais (ibuprofeno) ajudam nos primeiros 7-10 dias. Órteses específicas para suportar a lateral do tornozelo reduzem movimento excessivo dos fibulares. Bandagem de suporte também estabiliza o tornozelo.
Fisioterapia começa assim que a dor diminui. Alongamento suave da panturrilha e músculos fibulares é essencial. Fortalecimento dos fibulares com faixas elásticas reconstrói a força dos tendões. Propriocepção e equilíbrio melhoram a estabilidade funcional.
A maioria dos casos melhora completamente em 8-12 semanas com essas medidas. O retorno ao esporte é progressivo: aumentar atividade gradualmente em 10% por semana.
Quando a infiltração é necessária
Se o tratamento conservador não melhora após 4-6 semanas, indico infiltração de corticosteroide guiada por ultrassom na bainha do tendão. Essa infiltração reduz inflamação rapidamente e permite progresso melhor na fisioterapia.
Limito a 1-2 infiltrações máximo. Múltiplas infiltrações podem enfraquecer o tendão a longo prazo.
Tendinite fibular é uma condição comum em atletas ativos em São Paulo, mas totalmente evitável com treino progressivo e prevenção. Tratamento conservador com repouso relativo, fisioterapia e fortalecimento resolve 70% dos casos. Infiltrações e raramente cirurgia são necessárias apenas em casos resistentes.
Se você tem dor lateral do tornozelo persistente, procure avaliação ortopédica especializada. Atendo em São Paulo com ultrassom no consultório para diagnóstico preciso. Entre em contato pelo WhatsApp (11) 98799-3104.
Dr. Paulo Zugliani — Ortopedista e Traumatologista | CRM 67141/SP | Especialista em Pé e Tornozelo | São Paulo, SP | Especialista em Medicina do Esporte
